Recomendações à vindima

Quando as uvas atingem a sua completa maturação, ou seja, os teores de álcool provável se aproximam dos valores pretendidos, ou muito próximos, será a altura mais aconselhável para proceder à vindima.

Para se obterem vinhos de qualidade, equilibrados, com bom aroma e isentos de cheiros estranhos, as uvas devem ser colhidas em bom estado de maturação e desprezar a colheita de uvas podres, pois para além dos cheiros a bolor que provocam nos vinhos, outros problemas poderão causar, nomeadamente na prensagem das uvas e na dificuldade de clarificação dos mostos e vinhos.

Colheita e transporte

Durante a colheita procurar evitar, sempre que possível, a rutura da película do bago, não só por causa das perdas de mosto, mas também, como prevenção contra infecções, provocadas por leveduras e bactérias indesejáveis, e também para evitar a destruição dos aromas presentes na película (os compostos aromáticos são oxidados pelos enzimas, quando em contacto com o ar). Para defender as uvas de tais inconvenientes, a colheita deverá ser feita preferencialmente com tesouras próprias que permitem um trabalho muito mais rápido e perfeito. Para que a qualidade dos vinhos não seja afectada, o vindimador deverá ter o cuidado, de retirar todos os elementos estranhos, que se encontram juntos com as uvas: folhas verdes, folhas secas, pedaços de sarmentos, terra, etc.

caixa de uvas

caixas ao longo da linha

 

Em relação às condições do transporte das uvas enumeram-se algumas recomendações:

  • devem ser utilizadas caixas de pequena dimensão para o transporte das uvas; no caso de ainda se recorrer, por questões meramente económicas, às velhas e tradicionais dornas de madeira ou aos tinões metálicos, as uvas não deverão ser calcadas, por forma de aumentar a capacidade das mesmas.
  • devem-se transportar as uvas, o mais depressa possível, para o lagar ou local de esmagamento e prensagem. É um erro grave deixar as uvas colhidas de um dia para o outro, quer na vinha (se o tempo o permitir) quer na adega, sem que se proceda à sua vinificação.
  • durante o enchimento dos recipientes de transporte, quer se trate de caixas, dornas ou tinões, dever-se-á evitar, dentro do possível que as uvas estejam expostas ao sol durante muito tempo. Se tal facto acontecer, as uvas atingem valores de temperatura muito elevados, o que dificulta e compromete, todo o processo de fabrico de vinho (dificuldades de defecação dos mostos; temperaturas elevadas de fermentação; maior probabilidade de contaminações microbianas; etc.).
  • nos anos em que chove durante as vindimas, e para prevenir descidas dos teores de álcool provável dos mostos, deve-se evitar, que a água da chuva caia dentro das dornas, tinões, caixas ou qualquer outro recipiente de transporte, cobrindo-os com material impermeável durante o carregamento na vinha, e em particular, durante o transporte até ao local de vinificação.

Vindima mecânica

Nesta região, a vindima mecânica só é feita por empresas com dimensão e grande volume de produção. A vinha tem de estar estruturada para este processo, nomeadamente quanto à resistência da armação e ao alinhamento das videiras.

A tecnologia tem evoluído no sentido da colheita mecânica só colher bagos perfeitos e com a consistência adequada, deixando assim para trás os bagos verdes e secos.

Em função dos objetivos de qualidade estabelecidos, é possível obter lotes de uvas de qualidade distinta dentro da mesma parcela/casta. Por outro lado, a qualidade pode ser distinta, se efetuar uma primeira vindima manual, em que se colhem as uvas 'premium' resultantes de cachos mais expostos, mais pequenos ou de zonas de solos mais arenosos ou de topo, seguida de uma segunda vindima, mecânica em que se colhem as restantes uvas.

Outra opção é direcionar a vindima mecânica só para as castas tintas, pois após o desengace dos cachos, os bagos/mosto são menos sujeitas a processos de oxidação que os das brancas; após cada enchimento dos tegões incorporados, as uvas são descarregadas em tinões que são transportados em camião até à adega.

O rendimento de uma máquina de vindimar (New Holland/VL 620) é de cerca 1 hora e 30 minutos por hectare, o que só é compatível em parcelas de grande dimensão e com bons acessos. Em termos económicos, fica por metade do custo total da vindima manual.

As máquinas de vindimar New Holland são consideradas um símbolo de excelência em vinhas de todo o mundo, baseada na tecnologia Braud e na capacidade de inovação permanente: cabeça de vindima pendular, sistema de recolha por nora de godés, sistemas de sacudimento e cabinas confortáveis.

vindima mecanica

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