Características sensoriais dos monovarietais das castas Loureiro, Alvarinho e Arinto

25 novembro 2019

Os vinhos brancos da Região dos Vinhos Verdes são caracterizados pela sua frescura e pelo seu flavor floral e frutado, tendo adquirido reconhecimento internacional. A Denominação de Origem 'Vinhos Verdes' engloba uma diversidade de vinhos resultante das diferentes características do solo e do clima de cada uma das sub-regiões que a compõe (Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção, Paiva e Sousa) bem como da diversidade das castas.

 As castas brancas recomendadas para a produção de Vinho Verde são o Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Batoca, Loureiro e Trajadura.

Os vinhos monovarietais são particularmente apreciados pelos consumidores porque lhes permite identificar as características das respectivas castas, apresentando uma elevada importância económica quer para a Região quer para o País. As castas Loureiro e Alvarinho são as mais utilizadas para a produção de vinhos brancos monovarietais, mas existem também vinhos monovarietais da casta Arinto, Azal e Trajadura. A casta Loureiro é a casta mais cultivada (Comissão de Viticultura, da Região dos Vinhos Verdes, 2018/2019) ocupando uma área de 3 743 hectares. Segue-se a casta Arinto, que ocupa um total de 2 205 ha, e por último a casta Alvarinho com 2 152 ha de um total de 15 529 ha de vinha na Região, representando, respectivamente, 24,1%, 14,2% e 13,9% da área total. É de salientar que de, 2010 a 2018, duplicaram as vendas de monovarietais da casta Loureiro, aumento que foi de 71% no caso do Alvarinho, segundo os dados da CVRVV. Dada a importância crescente dos vinhos monovarietais a identificação das características sensoriais destes vinhos, bem como as suas diferenças, reveste- se de especial importância.

A análise sensorial de 17 vinhos monovarietais da castas Loureiro, Alvarinho e Arinto da Região Demarcada do Vinho Verde utilizando um painel de provadores treinados foi utilizado para a avaliação das intensidades dos diferentes descritores sensoriais (adaptado de Monteiro et al., 2014). Após análise dos resultados utilizando Equações Estruturais (AEE) e análise factorial confirmatória (AFC) permitiu obter modelos para os perfis sensoriais dos vinhos monovarietais das castas em estudo (Figura anexa, Vilela et al., 2018).

Como se pode observar, o aroma dos vinhos da casta Loureiro é caracterizado pelos descritores aroma a Loureiro, floral e mineral; a sensação de boca pelos descritores sensação macio, encorpado e equilibrado, e o flavor pelos descritores flavor vegetal, a citrino e a frutos tropicais. Os vinhos monovarietais da casta Alvarinho são assinalados por terem um aroma floral, a critino e a maçã; o sabor apresenta os descritores persistência, frescura, encorpado e equilibrado. No flavor os descritores vegetal, maçã e frutos tropicais. Por fim, os vinhos monovarietais da casta Arinto, em termos aromáticos apresentam os descritores floral, pêssego e ananás, na sensação de boca, aparecem os descritores textura, persistência, encorpado, equilibrado e intenso e, em termos de flavor, os vinhos são ácidos, com alguma sensação alcoólica e frescos

Este artigo é um contributo dos investigadores do Laboratório de Química Alimentar e do Vinho do Centro de Química-Vila Real da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD): Alice Vilela, Catarina Marques, Elisabete Correia, Luís Filipe- -Ribeiro, Fernando M. Nunes e Fernanda Cosme.

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