A Região Demarcada dos Vinhos Verdes é a mais antiga região vitivinícola demarcada de Portugal, com denominação de origem reconhecida desde 1908, e estende-se por todo o noroeste do país, na área tradicionalmente conhecida como Entre-Douro-e-Minho. Só a vinha ocupa cerca de 17.000 hectares, trabalhados por 12.930 operadores económicos entre viticultores, produtores, cooperativas e engarrafadores. Em 2023, as exportações de Vinho Verde atingiram 928 milhões de euros, o equivalente a 319 milhões de litros.
Um diagnóstico feito pela CVRVV junto de 84 entidades do setor mostrou que a sustentabilidade já não é vista como um extra: 94% consideram relevante uma iniciativa de sustentabilidade para a região, e 9 em cada 10 querem participar nela. Um levantamento posterior, junto de 128 entidades, identificou os principais entraves à transição digital: a falta de hábitos de registo, a escassez de tecnologia e de transferência de conhecimento, o risco para o abastecimento de uva ligado ao abandono rural, e a falta de recursos financeiros.
Mais de metade dos produtores ainda não utiliza ferramentas digitais especializadas no seu dia a dia. Mas o setor mostra-se recetivo à mudança: a abertura a novas tecnologias é um dos pontos mais fortes identificados no diagnóstico. O que falta não é vontade, é saber por onde começar.
A pressão também vem de fora. As alterações climáticas e a gestão da água são hoje o principal desafio identificado pelo setor em investigação e desenvolvimento, e mercados como os Estados Unidos, o Canadá e a Suécia exigem cada vez mais prova de práticas sustentáveis a quem quer exportar para lá. É para responder a este duplo desafio, de dentro e de fora da região, que nasce o ViSUS.